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Em honra dos excluídos: Homossexuais


Homossexualidade. Toda vez que nos deparamos com este tema um turbilhão de emoções se conflitam em nossas mentes e corações não é mesmo? Acho que nos dias atuais é quase impossível para qualquer pessoa que viva em sociedade não se deparar com algum amigo, visinho ou até familiar que se define como homossexual. É nessa hora que os conflitos se iniciam para o Cristão, pois esta realidade acaba por “bater” a sua porta.
Quero frisar e deixar claro desde agora que a Sagrada Escritura é estanque no que se refere ao ato homossexual em minha visão e eu, como cristão que sou, tenho por base que o que esta me reflete a verdade e a visão Divina para todas as coisas. Porém apresar de todos os meus preconceitos, que não são poucos acredite, resolvi enfocar o tema por achar que muitos de nós não estamos sabendo lidar com pessoas como Mel White.
Mel White é um escritor americano que por muito tempo foi tele evangelista e ajudou a escrever livros de autores renomados como Francis Schaeffer, Pat Robertson, Oliver North, Billy Graham, W.  A. Criswell, Jim e Tammy Faye Bakker, Jerry Falwell. Nenhum destes autores cristãos sabia das opções sexuais de Mel nesta época e por isso mesmo vários deles ainda hoje permanecem zangados com ele.
Conheci a história de Mel através de seu livro Stranger at the Gate: To be Gay and Christian in America (Estranho no portão: Ser gay e cristão na América), onde ele conta em detalhes toda sua luta para tentar “não ser gay” incluindo terapias em grupo, rituais de exorcismo, uso de drogas, etc. Mel era casado, tinha família e um nome a zelar dentro da esfera “Gospel” mas chegou um momento em que a situação se tornou insustentável e ele resolveu assumir sua opção sexual. Do dia para noite perdeu amigos, família e ganhou notoriedade de maneira negativa, é claro!
Dias atrás assisti um episódio de uma série médica norte americana em que um casal homossexual estava no hospital e um deles estava entre a vida e a morte. Para encorajar seu amor o parceiro deste o lembrava de todas a passeatas gays em que este havia lutado por direitos iguais, onde inúmeras vezes foi vítima de insultos, escárnios e agressões físicas.
Na década de 80 quando estas passeatas tiveram início nós cristãos as resistíamos com nossa voz. Em Washington, no ano de 1987 cerca de 300.000 participantes gays marcharam, e apenas uma minoria pretendeu chocar o público usando roupas que nenhum telejornal mostraria. O dia de outubro era frio, e nuvens cinzentas derramaram gotas de chuva sobre as colunas desfilando pela capital. Não demorou até um grupo de cristãos que vinham em sentido contrário se depararem com o grupo o insultando com palavras de ordem. "Combustível do inferno! Fora!", o líder deles gritava em um microfone. E os outros pegavam a deixa: "Fora, fora...". Quando isso perdeu a força, passaram para as frases: "Que vergonha! Que vergonha!". Entre as cantorias, os líderes transmitiam mensagens cheirando a enxofre a respeito de Deus reservando o fogo do inferno mais quente para os sodomitas e outros pervertidos. "AIDS, AIDS, ela vai pegar vocês", era o último motejo no repertório dos que protestavam a frase gritada com mais ardor. Havia recém acabado uma triste procissão de várias centenas de pessoas com AIDS: muitos em cadeiras de rodas, com corpos esquálidos de sobreviventes de campos de concentração. Ouvindo a cantilena, é difícil imaginar como alguém poderia desejar esse destino para outro ser humano ainda mais se proclamando detentor da “Boa Nova”.
Não considero certa a postura de uma pessoa que envereda pela homossexualidade assim como não apoio a poligamia, mas será que a opção sexual de alguém que conheço deveria mudar a maneira como o vejo? Alguém perde os valores e virtudes a partir deste momento? Certa vez um pastor disse: “Caráter não tem nada a ver com opção religiosa!” Eu concordo com isso! Em suma, posso não concordar com as opções de alguém, mas Deus me manda amar, orar e mostrar a verdade com amor. Se me furtar a essa atribuição então a igreja deixa de ser um porto seguro para pessoas como Mel e eu não poderei questionar se futuramente não aliarem a palavra cristão à palavra Graça.


Sangue


Seria uma segunda-feira normal? Ando pelas ruas de minha cidade, Curitiba, acreditando que sim. São 07h30min da manhã e o movimento já é intenso na rua XV de Novembro dentre as pessoas que não tem tempo a perder. Um café, um pão de queijo, lendo o jornal enquanto engole mais um bocado daquela comida que foi feita pela Dona Maria, assalariada, divorciada, que tem a filha que sonha em ser “médica de bicho” e um filho que, coitado, sonha em ser algo mais que um viciado em Crack. Na rua ninguém esbarra em ninguém, todos estão voltados para suas preocupações, seu mundo, seu mundinho sem se dar conta que existem pelo menos mais um milhão de pessoas perdidas nesse país acordando com as mesmas preocupações, vivendo a mesma vida de plástico que eles vivem. Ando mais um pouco e vejo uma marca de sangue no chão, marca grande demais para ser de um animal penso eu, algo parece ter sido arrastado ali. Mas o que? Quem? Por quê? Penso que poderia ser um homem, meu raciocínio é lógico, homens morrem mais de morte violenta que mulheres nesse país. Penso então que uma vida se findou naquele local e isso me soa injustificável afinal nenhum motivo é suficientemente válido para a morte de alguém, e me entristeço. Paro por alguns minutos, vejo que a marca de sangue foi varrida e lavada, mas ainda assim permanecem vestígios do que antes corria dentro do corpo de alguém que tinha vida, pensamentos, frustrações, amores. Então meu pensamento é interrompido pelo som da cidade grande e saio dali pensando no aparente paradoxo: Enquanto uma vida se findou naquele local a cidade pede passagem para que milhares de outras continuem passado por ali na esperança de viver!


MERDAS ACONTECEM!


Tempos atras fui abordado por uma aluna cristã no curso que leciono com uma afirmação tão triste quanto surpreendente. Sua mãe estava com AIDS  e ela não sabia o que fazer. Conversando com ela cheguei ao histórico de sua família: Mãe divorciada nos últimos anos, extremamente devota ao Senhor e havia descoberto nos últimos dias após uma bateria de testes que estava portando o vírus. Quando temos uma notícia assim fatalmente questionaremos Deus acerca da justiça disto tudo e foi exatamente isso o que vi nos olhos de minha aluna na hora que me abordou. Seus olhos gritavam: PORQUE?? Vou confessar que não sou muito bom em respostas rápidas e na hora a única coisa que consegui pensar foi em uma frase do filme Forrest Gump: Eu disse: MERDAS ACONTECEM! 
Apesar de desalmada minha resposta foi extremamente sincera  e de alguma forma atingiu em cheio o coração da garota que começou a chorar agradecendo-me pelo apoio que estava prestando posteriormente. Na verdade quis dizer que tragédias acontecem todos os momentos e que estamos inseridas nestas tragédias quer queira quer não sem necessariamente ter algo a ver com algum prêmio ou castigo por nossas atitudes! Certa vez, após ter curado um cego de nascença Jesus foi indagado sobre quem havia pecado para que este nascesse nesta condição, mas Jesus foi categórico ao dizer que ninguém havia pecado mas havia outros planos por detrás disso (não vou colocar esta referência, vai procurar preguiçoso) o que nos faz pensar que nem tudo que acontece está inserido no contexto “prêmio-castigo”. Precisamos parar de olhar para as pessoas que sofrem e achar que elas "estão assim" por culpa delas. Precisamos parar de olhar para as pessoas soropositivas e achar estas  têm "culpa no cartório" ou olhar para o que tem câncer e deduzir que há algum "pecado não-confessado". Precisamos parar de concluir que o irmão que não "sobe na vida não é dizimista, e você "subiu" porque o é.
Um exemplo que gosto de dar que li em um livro dado a mim pelo @O_Cristiano, falava de duas universidades cristãs que disputavam uma partida de basquete valendo o título da temporada. Certamente  ambas haviam orado a Deus pedindo pela vitória mas evidentemente somente uma sairia com esta. Será que a perdedora orou menos?? Ou tinha mais pecados?? Acho(e quando digo que acho é porque não tenho certeza mesmo!) que Deus tem planos maravilhosos para mim mas também acho que algumas coisas que acontecerão em meu caminho simplesmente acontecerão e sou grato a Deus por elas também.

Texto original encontrado em Crentassos