Sangue


Seria uma segunda-feira normal? Ando pelas ruas de minha cidade, Curitiba, acreditando que sim. São 07h30min da manhã e o movimento já é intenso na rua XV de Novembro dentre as pessoas que não tem tempo a perder. Um café, um pão de queijo, lendo o jornal enquanto engole mais um bocado daquela comida que foi feita pela Dona Maria, assalariada, divorciada, que tem a filha que sonha em ser “médica de bicho” e um filho que, coitado, sonha em ser algo mais que um viciado em Crack. Na rua ninguém esbarra em ninguém, todos estão voltados para suas preocupações, seu mundo, seu mundinho sem se dar conta que existem pelo menos mais um milhão de pessoas perdidas nesse país acordando com as mesmas preocupações, vivendo a mesma vida de plástico que eles vivem. Ando mais um pouco e vejo uma marca de sangue no chão, marca grande demais para ser de um animal penso eu, algo parece ter sido arrastado ali. Mas o que? Quem? Por quê? Penso que poderia ser um homem, meu raciocínio é lógico, homens morrem mais de morte violenta que mulheres nesse país. Penso então que uma vida se findou naquele local e isso me soa injustificável afinal nenhum motivo é suficientemente válido para a morte de alguém, e me entristeço. Paro por alguns minutos, vejo que a marca de sangue foi varrida e lavada, mas ainda assim permanecem vestígios do que antes corria dentro do corpo de alguém que tinha vida, pensamentos, frustrações, amores. Então meu pensamento é interrompido pelo som da cidade grande e saio dali pensando no aparente paradoxo: Enquanto uma vida se findou naquele local a cidade pede passagem para que milhares de outras continuem passado por ali na esperança de viver!


Vida Maria!

Nesse dia do Professor vai o alerta... não mate a esperança nem destrua o aprendizado de seu filho! 

vida maria por tradicaonegocios no Videolog.tv.

Momentos (Nuno Rocha)

Foi o Cristiano (@crentassos) que me mostrou este vídeo a muito tempo e tenho que admitir que vira e mexe acabo convergindo para ele novamente, um curta do português Nuno rocha que com certeza merece nosso respeito. Curtam e compartilhem!

Relaxa na bíblia

Olha o videozinho... se essa moda pega!
♫“Segura essa tcheca, não rale ela no chão”
“A perereca ta ungida!”♪

Relacionamento e alguns problemas entre o homem e Deus

Caríssimo leitor permita-me levantar algumas observações sobre as Sagradas Escrituras para que possamos de alguma forma racionalizar, se é que isso é possível, o caráter Divino. Sempre notei Jesus e Deus Pai como duas facetas de uma mesma moeda. Um o advogado outro o Juiz, um leve e ponderado, outro colérico e tempestuoso, o primeiro assemelhando-se a mulher que é emotiva, amorosa e perdoadora o outro se assemelhando ao homem que via de regra mostra-se racional e frio.
Porém quando comecei a procurar traços do caráter de Deus o descobri simplesmente apaixonado por seu povo, sedento de amor pela humanidade e buscando, para minha surpresa, intimidade!!Devo admitir que verifiquei mais evidências de um Deus que busca relacionamentos estreitos com a humanidade do que o de um distante e carrancudo executor de sentenças.
Bom! Até aí você deve estar me achando tolo por me dar ao trabalho de escrever o óbvio. Pois é lógico que somente um Deus que se importa mandaria seu filho unigênito para morrer de morte de cruz por nós.  
Nosso grande problema para mim passa ser a partir deste ponto. Se temos um Deus que quer se relacionar devemos intuitivamente definir que , a exemplo do que acontece com todos nós, este relacionamento exigirá diálogo, estará suscetível a frustrações e quem sabe um pouco de ausência de ambas as partes. Certa vez um escritor disse que “Todo relacionamento passa por períodos de proximidade e distanciamento, e, no relacionamento com Deus, por mais íntimo que seja o pêndulo vai oscilar de um lado para o outro”.  Quando era mais jovem (pausa para uma risada do @Crentassos) participava de uma pequena igreja e ainda me lembro que as senhoras que lá congregavam se referiam a um “tempo no deserto” procurando nominar os períodos de silêncio por parte de Deus. Felizmente, para nós, isto parece ser comum e benéfico até certo ponto. O Escritor Henri Nouwen chamou-os de “o ministério da ausência”. Aiden W. Tozer chamou-os de “o ministério da noite” e outros o mencionam como “o inverno do coração”. 
Quando chega este período em nossas vidas fatalmente começamos a procurar um culpado. Pensamos erroneamente (na maioria das vezes, espero eu!) estarmos em algum pecado não confesso para que Deus tenha se “ausentado” assim. Tristemente algumas denominações ajudam a solidificar esta ideologia na mente de seus fiéis criando uma casta de cristãos paranóicos que buscam exaustivamente santificação a ponto de se flagelarem social, cultural e porque não fisicamente.
Jó passou por algo semelhante. Dos 42 capítulos existentes no livro que conta sua caminhada Deus se ausentou aproximadamente por 37 sem, contudo haver culpa por parte de Jó para tal ausência. O que ele fez nesta situação?? Lembrou o quem era Deus e o que Ele já havia feito por ele. Evidenciou em sua vida que Ele estava no poder e que a despeito das aparências seu plano era “bom”. Então caro amigo! Se sua vida passa por algum período parecido não se desespere, pois como todo relacionamento o silencio é necessário para o amadurecimento de seus integrantes. 

Perigoso


Particularmente acho Menina de Ouro (Million dollar Baby, 2004) um primor cinematográfico. Gosto do roteiro, da fotografia sem claro me esquecer do desempenho sempre ótimo de Morgan Freeman e Clint Eastwood. Mas uma personagem me cativa sempre que vejo o filme. “Danger” é um garoto magricelo e desajeitado que apareceu no ginásio de Clint para treinar e mesmo não tendo chance alguma de enfrentar um pugilista profissional nutre em seu coração a ilusória idéia que está cada vez mais preparado para tal. Toda idéia de aparente vitória está muito clara em sua mente até que, em dado momento do filme ele enfrenta outro aluno que frequenta o ginásio e, após receber alguns golpes certeiros, acaba se deparando com a verdade. De que, apesar de seus esforços ele não tem a mínima chance contra seu oponente. Como um trem desgovernado a realidade se apresenta destruidora e o reduz a uma caricatura do que antes ele considerava intocado. Não nos sentimos assim às vezes? Que faz Jesus nestas horas? Para onde vai Deus quando precisamos?
Para arriscar um palpite procurarei ilustrar com a imagem que aparece no próprio filme quando Danger é nocauteado. Freeman, o zelador do estabelecimento, o homem responsável por “servir” e nada mais o ajuda a levantar e apesar do desempenho desastroso o incentiva dizendo que ele se saiu muito bem e o lembra do fato de qualquer um poder ser nocauteado em algum momento. Guardada as devidas proporções Jesus nos incentiva a levantar quando caímos nos provando através de suas palavras que qualquer um pode cair, nos lembrando seu amor e do fato principal que não precisamos passar por nossas provações sozinhos.
Sobre o Danger?? Se você assistiu o filme deve lembrar que no fim ele retorna ao treinamento!
Aparentemente a fé que Freeman tinha nele o incentivou a tentar novamente.



A Primavera


Primavera Árabe foi o nome escolhido para nominar a onda de protestos, revoltas e revoluções populares contra governos do mundo árabe que eclodiu em 2011. A raiz dos protestos é o agravamento da situação dos países, provocado pela crise econômica (iniciada em 2008) e pela falta de democracia. A população sofre com as elevadas taxas de desemprego, o alto custo dos alimentos, pede melhores condições de vida e principalmente clama por justiça. Após anos de ditaduras, muita das quais fundamentadas em regimes teocráticos não raro configura-se o fato de gerações inteiras não saberem como lidar com a liberdade adquirida, quando e se, efetivamente isso ocorre. Ruy Barbosa certa vez disse que “De tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantar-se o poder nas mãos dos maus, o homem chega a rir-se da honra, desanimar-se da justiça e ter vergonha de ser honesto”. Será que seria isso que acontecera conosco? Será que perdemos a esperança em dias melhores? Seria o conceito de justiça algo tão abstrato e moldável assim?
Infelizmente desanimar-se da justiça configura-se em uma atitude que beira a patologia. Indivíduos altamente desenvolvidos e espiritualizados não admitem outro fundamento, que não a justiça, para suas ações éticas. Fazer o bem, fazer o certo, respeitar as pessoas e instituições deve ser um estilo de convivência e não uma prática determinada por convicções egoístas. Sendo feminina em seu gênero a justiça necessita ser gerada no ventre da imparcialidade sempre. Ela não é benevolente nem assistencialista; a justiça é objetivamente ética e respeitadora. Ela encontra-se ao lado da verdade sem ser personalista. Deve frustrar os que se valem da mentira, desonestidade e dos que desprezam o direito.
Por fim Blaise Pascal, filosofo francês certa vez escreveu:                                      
“É justo que o que é justo seja seguido e é necessário que o que é mais forte seja seguido. A justiça sem a força é impotente; a força sem a justiça é tirânica. A justiça sem a força é contestada, porque há sempre maus; a força sem a justiça é acusada. É preciso portanto pôr em conjunto a justiça e a força, e, por isso, fazer com que o que é justo seja forte, e o que é forte seja justo. “