Diante
das crises financeiras atuais que se deram desde o inicio de 2008 e ainda
permanecem muito tem se vociferado sobre a eficácia ou não do capitalismo em
nossos dias atuais. O que me inclinou a escrever este texto foi o fato de notar
que esses alardes contra o regime ora existente em nossa sociedade, a saber, o
capitalismo vem justamente de adeptos de outros regimes minoritários o que me
inclinou a cogitar a real culpa do capitalismo em todo esse triste cenário. É evidente
que quando as coisas estão erradas queremos encontrar os culpados, mas aceitar
as críticas de entusiastas do socialismo (por exemplo) contra o capitalismo
neste momento seria como ouvir defensores da natureza prantear que cada grau de
variação da temperatura de nosso planeta tem como causa o efeito estufa, sem
nos esforçarmos para levar em consideração que existem vertentes de estudos que
apontam para mudanças climáticas sazonais naturais ao globo ao longo dos
milênios, ou seja, isso é descabido e insensato. Deixo claro desde o início deste texto caro
leitor(a) que não vou fazer apologia a esse ou aquele sistema econômico até
porque considero que todos são bons se colocados em prática com preceitos
morais, éticos e humanos ou qualquer coisa que realmente possa se denominar
“humano” e se refira a atitudes elevadas em detrimento desse caráter vil em que
nossa sociedade está inserida.
Para
ser sincero, não tenho muito contra o capitalismo, estamos em “lua de mel”
ainda por assim dizer. Trabalho muito e posso comprar o que quero para minha
família. Às vezes quero coisas melhores é verdade, e aí vem a vantagem deste
sistema para mim. Basta que me dedique mais e trabalhe mais para que consiga
coisas melhores. Não é um mau princípio, você pode ascender na vida se
realmente desejar. O problema deste regime no meu ponto de vista limitado seria
o fator “homem” que deturpou os conceitos iniciais do regime. No “boom” da
crise em 2008, o Presidente francês afirmou que "a crise financeira não é a crise do capitalismo. É a crise de um
sistema que se afastou dos valores fundamentais do capitalismo, que traiu o
espírito do capitalismo". Avisou ainda: "o anti-capitalismo não oferece qualquer solução à crise atual.
Regressar ao coletivismo, que tantos desastres provocaram no passado, seria um
erro histórico". Considero acertada a afirmação. É necessário repensar
o capitalismo ante os ataques populistas e oportunistas é verdade, mas atacar o
capitalismo por causa da crise financeira é como atacar a democracia por causa
de partidos extremistas serem eleitos em muitos países democráticos. Todos os
bons sistemas têm problemas.
Concordo
que a competição imposta pelo capitalismo é desigual. O capitalismo não fornece
os mesmos meios para que todos possam competir igualmente. Normalmente os
países “pobres” arcam com um custo elevado para que países ricos possam
sustentar seu crescimento. Isso é injusto e permanece injusto porque o gerente
de uma multinacional achou viável em dado momento transferir suas instalações
para um país onde a mão de obra é mais barata. Note dois erros nesse trecho:
Primeiro a falta de escrúpulos do
gerente que preferiu o lucro em detrimento das questões morais quando opta em
usar a mão de obra praticamente escrava para trabalhar em sua empresa. Poderia
não transferir suas filiais e lucrar menos ou simplesmente contribuir para que
seus novos trabalhadores ganhassem próximo ao que ganhariam se estivessem no
país matriz.
Em
segundo lugar faltou a mão protetora do governo que recebeu a multinacional
para proteger os cidadãos que vivem sob suas penas através de leis e
regulamentações para que cada trabalhador tenha sua justa oportunidade de
crescimento.
Note
que nas duas situações o erro foi do homem que se usou de brechas no “sistema”
para cometer atos que não chegam a ser ilegais, mas certamente configuram-se
imorais. O que o capitalismo fez na história do homem? Ele se adequou dentro
desse espaço humano no qual já existia desigualdade, mas não por se tratar do
sistema capitalista, e sim por se tratar de um sistema com seres humanos; seres
que nascem com aptidões diferentes, com força física diferente e em ambientes
diferentes que os favorecem ou não. O
capitalismo até em certo ponto as minimizou! Pois não, as minimizou. Acabou
com estratos e condições eternas. O rico de hoje pode ser o pobre de amanhã, ou
vice-versa. Hoje considero o capitalismo muito mais do que economia. Sem
capitalismo, não há liberdade individual, não há pluralismo político e não há
sociedades prósperas. Basta olhar para a história do século XX, para ver o
resultado de todas as experiências anti-capitalistas. Desde a União Soviética à
Alemanha Nazi, passando pela Espanha de Franco e pelo Estado Novo. Muito mais
grave do que a crise financeira seria a falta de memória histórica e disso não
podemos nos furtar.
O
que fazer? Mudar de sistema? Acho que não!
Concordaria
em mudar de sistema somente se optássemos por coisa melhor, o que não vislumbro
no momento. Disse uma vez em uma rede social: “O capitalismo não é a resposta, mas o socialismo também não é! O que
espero é algo que ainda não vi!”. Mantenho estas as minhas palavras e findo
este texto na esperança de ter crescido mais um pouco enquanto o escrevia.
Tentarei fazer como Lutero fez a mais de cinco séculos atrás: Antes do cisma
tentarei limpar e varrer minha “casa” para que tenha certeza que todo o
possível tenha sido feito.




